Departamento jurídico ganha protagonismo e lidera reestruturação do Paysandu

Belém (PA) – O Paysandu iniciou a temporada de 2026 com uma ampla reorganização administrativa sob a coordenação do Departamento Jurídico, agora chefiado pelo advogado Bruno Castro. Depois de um 2025 marcado por rebaixamento e renúncia presidencial, o clube aposta em ações preventivas para reduzir riscos e reforçar a defesa institucional.
Integração e rotina de trabalho
A nova diretoria jurídica, formada por Igor Cardoso, Gabriella Sifuente, Bruno Castro, Mateus Casemiro e Andrey Damasceno, foi apresentada na Curuzu. O grupo atua diariamente na análise de contratos, negociações e revisão de documentos. Segundo Castro, o departamento hoje só perde para o setor financeiro em volume de demandas.
O jurídico passou a participar das contratações já na fase inicial de negociação. “O contrato chega para nossa análise; sugerimos ajustes e indicamos caminhos mais seguros para o clube”, explicou o diretor.
Regularização fiscal e impacto financeiro
Entre as medidas recentes, o Paysandu aderiu ao Programa de Regularização Fiscal do Pará (Prorefis), o que permitiu o parcelamento de dívidas estaduais e a emissão de certidões negativas. Sem esses documentos, o clube não teria, por exemplo, recebido as cotas da Copa Verde. A expectativa é que a regularização facilite a atração de novos patrocínios.
Processos e acordos trabalhistas
O clube mantém acordos com mais de 90% dos atletas que passaram pela Curuzu em 2025, incluindo renegociação de direitos de imagem. Mesmo assim, há cobranças em aberto que somam R$ 14.026.518,26, além de multa de R$ 1,5 milhão aplicada pelo descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2008. O total chega a R$ 15.526.518,26, valor ainda em discussão judicial.
O advogado Andrey Damasceno ressalta que esses números não representam condenações definitivas. “Se alguém pede cinco milhões, não significa que vai receber esse valor”, afirmou.
Punições esportivas e disciplina
O trabalho preventivo refletiu na esfera desportiva: em 2024 o Paysandu evitou punições como perda de mando de campo e multas no STJD, ocorrências frequentes em temporadas anteriores.
Imagem: Jorge Luís Totti
Casos específicos
Processos envolvendo ex-profissionais recebem tratamento técnico. A ação trabalhista de Hélio dos Anjos está em fase recursal no segundo grau, enquanto a disputa cível com Yago Pikachu corre sob sigilo. “Uma coisa é certa: Pikachu não deve ao Paysandu, e o Paysandu não deve ao Pikachu”, disse Castro.
Nova política financeira
A atual gestão também busca pôr fim à prática de antecipação frequente de receitas. “Chegou um momento em que não havia mais o que antecipar. Se comprometermos todo o presente para pagar tudo de uma vez, inviabilizamos o clube”, completou o diretor jurídico.
Com a integração de setores e foco em prevenção, o Paysandu tenta deixar no passado os problemas que se acumularam ao longo dos anos e criar bases mais sólidas para o futuro.
Com informações de Papão

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