O presidente Márcio Tuma traça um balanço positivo dos primeiros meses à frente do Paysandu: título paraense conquistado, base valorizada e um modelo de gestão sustentável em implantação. O desafio agora é manter o equilíbrio financeiro com mais de R$ 75 milhões em dívidas e uma Série C pela frente.
A chegada de Tuma à presidência, em dezembro de 2025, veio após a renúncia de Roger Aguilera. Em pouco mais de três meses no cargo, o dirigente já colhe um resultado concreto: o título do Campeonato Paraense, troféu que ajudou a restaurar a confiança da torcida bicolor depois de uma temporada marcada por turbulências dentro e fora de campo.
"Faço um balanço positivo em razão de termos conseguido reconquistar a confiança da torcida, com muito trabalho demonstrado até agora e com a oportunidade que demos para os jovens talentos da nossa base — sempre com o lema de responsabilidade administrativa e financeira para fazermos o Paysandu crescer de forma sustentável." — Márcio Tuma, presidente do Paysandu Sport Club
📉 As lições de uma temporada traumática
Tuma não esconde que 2025 foi um divisor de águas doloroso para o clube. O desempenho abaixo do esperado expôs fragilidades estruturais que vinham sendo ignoradas há anos — e a recuperação judicial escancarou o tamanho do problema.
"O ano passado foi muito traumático, mas também foi um ano de aprendizado. A gente aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. As vitórias podem acobertar problemas internos; quando você tem um período de derrotas, toda a sua sistemática interna fica exposta." — Márcio Tuma
💡 O modelo de gestão sustentável
Para Tuma, a recuperação administrativa e o desempenho esportivo são duas faces da mesma moeda — e nenhuma delas prospera sem a outra. Esse entendimento guia todas as decisões da atual diretoria.
"O que estou fazendo aqui é implantar um modelo de gestão em que acredito. Um modelo sustentável, em que receitas e despesas precisam se equilibrar e em que a base tenha oportunidade. Esses atletas podem nos ajudar no desempenho esportivo e também se tornar ativos importantes para o clube." — Márcio Tuma
"Na minha percepção, o Paysandu não vive duas recuperações — uma está interligada com a outra. Quando a bola entra no gol do adversário, é porque a retaguarda também está dando todo o suporte. O equilíbrio das finanças é parte necessária da recuperação dentro dos gramados." — Márcio Tuma
🤝 Um projeto coletivo
O presidente destaca que os resultados alcançados até agora são produto de um esforço conjunto que envolve toda a estrutura do clube — da diretoria aos atletas, passando pela comissão técnica.
"Os resultados que colhemos são fruto de um trabalho de grupo: uma união de propósitos feita por mim, pelos vice-presidentes, pela diretoria, pela comissão técnica, pelos atletas e por todos os empregados do clube. Essa soma de esforços possibilitou colher frutos de maneira tão precoce." — Márcio Tuma
A comissão técnica tem papel central nessa estratégia, especialmente na abertura de espaço para atletas formados na base bicolor. Segundo Tuma, o alinhamento de filosofia entre diretoria e comissão é um dos pilares do projeto.
"A comissão técnica que temos é qualificada e comprometida com os propósitos da presidência. Se hoje estamos dando oportunidades para atletas da base, é porque todos acreditam no projeto." — Márcio Tuma
⚽ Reforços e Série C: equilíbrio é a palavra
Com a Copa do Brasil e a Série C no horizonte, o dirigente admite que contratações pontuais serão necessárias — mas sem abrir mão do equilíbrio financeiro que define a gestão atual.
"Precisamos de reforços pontuais, porque sabemos que a Série C é uma competição longa. Algumas contratações devem ser feitas, mas nada que faça o elenco crescer muito, até porque precisamos equilibrar a necessidade de novos atletas com aquilo que o clube pode efetivamente pagar." — Márcio Tuma
🏗️ Infraestrutura: CT e Curuzu na mira
Além do campo, a gestão mira a modernização da infraestrutura do Papão. As metas incluem avanços no centro de treinamento e melhorias para o torcedor na Curuzu.
"A expectativa é concluir pelo menos a primeira etapa do CT até o final do ano. Na Curuzu estamos fazendo melhorias pontuais para o torcedor. Vamos inaugurar mais três bares até o final do ano e continuar trazendo melhorias. Enquanto não pudermos transformar o estádio em uma arena esportiva, seguimos fazendo ajustes possíveis." — Márcio Tuma
