Paysandu entra em recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 16,7 milhões

O Paysandu solicitou e obteve o deferimento de um pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, buscando reorganizar suas finanças. O clube de futebol paraense enfrenta um passivo de R$ 16,7 milhões, somado ao rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro em 2025, após terminar a Série B como lanterna.
A medida judicial tem como objetivo permitir que o Paysandu renegocie suas dívidas de forma estruturada, sob supervisão da Justiça, com a suspensão temporária de execuções e bloqueios. A decisão foi proferida na última sexta-feira, dia 20, pelo juiz Ivan Delaquis Perez, da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém.
O magistrado reconheceu que, apesar de ser uma associação civil, o clube exerce atividade econômica, o que lhe confere o direito de utilizar o instrumento legal para superar a crise financeira e evitar a falência. O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) estabeleceu um período de 180 dias, conhecido como *stay period*, para a suspensão das dívidas, tempo no qual o clube deve apresentar um plano de pagamento detalhado.
Este plano precisa ser protocolado em até 60 dias e será posteriormente submetido à Assembleia Geral de Credores. A aprovação do plano o torna a base para a reestruturação; sua rejeição ou o descumprimento das condições podem levar à decretação de falência.
O contador Cláudio Humberto Barbosa, nomeado administrador judicial do processo, explicou que sua função é auxiliar o juiz. Ele fiscaliza as atividades do devedor, acompanha a situação financeira da instituição, verifica os créditos dos credores, elabora relatórios periódicos e garante a transparência e o equilíbrio entre os interesses do clube e de seus credores, conforme previsto no artigo 22 da Lei 11.101/2005.
Cláudio Humberto descreveu a recuperação judicial como um mecanismo legal que permite à instituição renegociar suas dívidas com proteção temporária contra cobranças, enquanto mantém suas operações e elabora um plano de pagamento organizado e sustentável.
Ele afirmou que a medida é legítima e cada vez mais utilizada por clubes brasileiros, representando o reconhecimento de uma crise que exige reorganização coletiva e supervisionada para evitar execuções isoladas que inviabilizariam as atividades esportivas.
Apesar da preocupação gerada pela situação, o administrador judicial esclareceu que a recuperação judicial não significa um colapso financeiro, mas sim que a situação exige uma reorganização estruturada. Ele salientou que o grave seria não buscar mecanismos legais, e que a medida é adotada antes da insolvência definitiva, justamente para evitar que a crise se torne irreversível, indicando ainda a viabilidade operacional do clube.
Uma eventual falência, segundo Cláudio Humberto, ocorreria se o plano de recuperação não fosse cumprido, fosse reprovado em assembleia de credores ou houvesse descumprimento de obrigações legais ou má gestão durante o processo. Ele considerou a decisão da diretoria do Paysandu como coerente, visto o grau de endividamento e a necessidade de criar um ambiente de negociação coletiva e previsibilidade financeira, mais eficiente do que lidar com cobranças individuais.
A dívida de R$ 16,7 milhões requer um plano realista, com controle de despesas, adequação do orçamento à realidade esportiva e geração consistente de receitas futuras. O administrador judicial destacou que o encerramento da recuperação ocorre quando todas as obrigações do plano, com vencimento em até dois anos após a concessão, são cumpridas.
Ele também observou que esse nível de endividamento não é incomum no futebol brasileiro, especialmente após um rebaixamento, e que a recuperação judicial oferece uma oportunidade para recompor o fluxo financeiro e revisar práticas de gestão e governança.
O Paysandu contratou um escritório de advocacia de Recife (PE) para conduzir o processo. Cláudio Humberto comentou que a ausência de casos anteriores de recuperação judicial de clubes no estado pode ter influenciado a escolha, mas ressaltou a existência de profissionais capacitados na área em Belém.
Cláudio Humberto Barbosa atua há mais de duas décadas na área da perícia contábil, o que permitiu a ele ser nomeado administrador judicial pela primeira vez, em 2007, assumindo processos complexos de recuperação judicial e falência.
Com informações de [Loja Lobo]

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